Publicado em: 5 de outubro de 2026 Atualizado:: outubro 6, 2026
Circulação Literária passa por Diogo, Massarandupió e Rio de Contas aproximando poesia contemporânea, música, artes visuais, formação e públicoA poesia de Alex Simões pega a estrada. Entre 1º e 30 de outubro, o poeta e performer baiano realiza uma circulação que passa por Lisboa, Diogo, Massarandupió e Rio de Contas, reunindo performance, lançamento do livro e oficina de poesia e técnicas básicas de encadernação. A programação leva a diferentes territórios uma produção literária marcada pela experimentação da linguagem e pelo encontro entre palavra, corpo, música, imagem e cotidiano.
A circulação começa em 1º de outubro, em Lisboa, no Casulo Espaço Cultural, com conversa mediada pelo poeta baiano radicado em Portugal Ederval Fernandes, seguida de apresentação de poeformance e lançamento de assim na terra como no selfie. Na Bahia, a programação passa por Diogo, Massarandupió e Rio de Contas, articulando literatura, música, performance e formação. – podendo ser conferida no perfil @alexsimsimoes.
Em Diogo, no dia 22 de outubro, das 14h às 17h, acontece a oficina Tudo métrica e rima num caderno. A partir das 18h, Alex apresenta a poeformance, em diálogo com o músico Ivan Huol, seguida do lançamento do livro. Em Massarandupió, a oficina acontece no dia 23, das 14h às 17h, seguida de poeformance e lançamento, a partir das 18h. Já em Rio de Contas, a circulação integra a programação da Festa Literária de Rio Contas (FLIRCONTAS), no dia 30 de outubro.
Mais do que levar uma programação literária para outros lugares, o projeto coloca em movimento uma poesia que já nasce do deslocamento. Publicado em 2021 pelo selo editorial paraLeLo13S, da livraria Boto-cor-de-rosa, “assim na terra como no selfie” reúne poemas atravessados por redes sociais, acontecimentos cotidianos, pandemia, desejos, memórias e contradições, experimentando diferentes formas, ritmos, imagens e referências.
A poeformance é o eixo central da circulação. Criada e executada por Alex Simões, em diálogo com o músico Ivan Huol, a apresentação articula poesia, música e performance. Poemas de Alex encontram textos de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Caetano Veloso, além de referências dadaístas, modernistas, tropicalistas, contemporâneas e ao Inferno, de Dante Alighieri.
A proposta tira a poesia da página para fazê-la ocupar o espaço compartilhado com o público. Palavra, voz, música e corpo se encontram em uma apresentação que atravessa diferentes tempos e linguagens. Essa experimentação também está presente no livro, que reúne poemas de estruturas diversas, jogos de linguagem, experimentações visuais e textos próximos da oralidade e da performance.
Em assim na terra como no selfie, Alex Simões aproxima referências da tradição literária de imagens e situações do presente. Em “QU4DR1LHA”, por exemplo, a conhecida quadrilha de Drummond ganha outros caminhos: João, Teresa, Raimundo, Maria, Joaquim e Lili passam a circular entre “direct”, “fake news”, “match”, publicações e “Stories”. Entre a ironia, o jogo de palavras e a experimentação da forma, os poemas criam diferentes maneiras de olhar para o mundo e para si.
Essa escrita também se volta para dentro. Em “45”, o poeta percorre dúvidas, desencontros e a própria experiência de existir; em “tapetum lucidum”, corpo, identidade, diferenças e formas de pertencimento entram em cena; enquanto “In:___desejado” transforma a estrada em imagem para falar de encontros, desejos e deslocamentos. São poemas que se movimentam entre aquilo que acontece no mundo e aquilo que reverbera no corpo de quem escreve.
A estrada, nesse sentido, não é apenas o caminho físico percorrido pela circulação. Ela também atravessa a própria poesia de Alex: deslocar-se, observar, encontrar o outro e transformar a experiência em linguagem. Como escreve em “cama de gato”: “eu faço versos como quem / faz uma cama / de gato”. A imagem traduz uma escrita feita de fios que se cruzam, desfazem e voltam a se encontrar.
Em assim na terra como no selfie, o cotidiano se transforma em matéria poética, entre humor, memória, crítica, desejo e observação do mundo. A circulação cria um movimento de ida e volta entre livro, cena e criação. A poeformance transforma os poemas em acontecimentos; o lançamento aproxima o público da obra impressa; e a oficina convida participantes a experimentar seus próprios versos.
Realizada em Diogo e Massarandupió, a oficina Tudo métrica e rima num caderno é voltada principalmente para estudantes dos territórios participantes, a partir de 16 anos. Durante três horas, os participantes entram em contato com noções básicas de versificação, como verso, ritmo, escansão e rima, além de experimentarem a construção de quadras em redondilha menor e maior.
A atividade inclui ainda técnicas básicas de encadernação, reunindo poemas lidos e textos produzidos durante o encontro. Ao final, cada participante leva consigo o próprio caderno. A proposta amplia o sentido da circulação: não apenas levar a poesia a outros territórios, mas criar condições para que novas escritas apareçam a partir deles.
Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
Nascido em Salvador, em 1973, Alex Simões é poeta e performer. Publicou quarenta e uns sonetos catados (2013), (hai)céufies (2014), Contrassonetos (2015), trans formas são (2018) e no meu corpo o canto: #experimentoscomletrasurbanas (2020), este último em coautoria com a Tanto Criações Compartilhadas.
Sua produção integra antologias, coletâneas e revistas nacionais e internacionais, com poemas traduzidos para espanhol e inglês. Desde os anos 1990, participa de saraus, festivais literários e eventos multilinguagens na Bahia e em outros territórios.
Entre suas experiências estão a participação no recital Resistencia, em Havana, Cuba, em 2017; um workshop de poesia visual no Poetry Foundation, em Chicago, em 2018, durante o intercâmbio Close to There/Perto de Lá; e a participação como autor estudado na disciplina Introdução à Literatura Lusófona, da University of Washington, em 2020.
Agora, essa trajetória volta a se colocar em movimento pela Bahia. Diogo, Massarandupió e Rio de Contas recebem uma poesia que chega com livro, música, performance, formação e encontro. Depois de Lisboa, a estrada segue por diferentes territórios, levando uma obra que também se constrói no deslocamento.
Circulação Poeformance por Alex Simões | Livro + Oficina + Performance
1º a 30 de outubro de 2026
Lisboa (Portugal), Diogo, Massarandupió e Rio de Contas (BA)
DIOGO
22 de outubro
Oficina Tudo métrica e rima num caderno | 14h às 17h
Poeformance + lançamento de assim na terra como no selfie | a partir das 18h
Local: Pousada e Espaço Cultural Vila Flor Ecocentro
MASSARANDUPIÓ
23 de outubro
Oficina Tudo métrica e rima num caderno | 14h às 17h
Poeformance + lançamento de assim na terra como no selfie | a partir das 18h
Local: Centro de Artes Maxim Malhado (CAMMA)
RIO DE CONTAS
30 de outubro
Poeformance + lançamento de assim na terra como no selfie
Local: Festa Literária de Rio de Contas (FLIRCONTAS)
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