Publicado em: 15 de novembro de 2017 Atualizado:: novembro 15, 2017
Frans Krajcberg nasceu na Polônia, fez a Bahia de morada em 1948 e nesta quarta-feira, 15, despediu-se deste mundo deixando uma riqueza imensurável em obras de arte. Vivia num sítio, em Nova Viçosa. Sobre sua naturalidade teimava: “A imprensa insiste em dizer que sou polonês naturalizado brasileiro; não sou. Sou brasileiro”.
Ele chegou ao Brasil fugindo do trauma do holocausto, contava: “Perdi toda a minha família de modo bárbaro. Sabe o que é isso? Fazer um buraco enorme, jogar eles vivos, jogar terra em cima? Não suportava mais viver. Fiquei sozinho, quis fugir de tudo, principalmente do homem”.

Já em solo baiano, se preocupou com as queimadas, com o mau uso do meio ambiente. Contava que por vezes se imagina ainda na guerra, por causa da fumaça densa. Passou a militar pela natureza com sua arte, era sua forma de protesto. “A arte foi a maneira que encontrei para reagir”.
Conhecido principalmente por suas esculturas feitas a partir de troncos e raízes de árvores calcinadas pelos incêndios que derrubam densas áreas verdes para transformá-las em pastos, Krajcberg sempre foi um artista engajado. Sua obra transitou pela pintura, escultura, gravura e fotografia.
Comunicava-se por meio da arte: “É preciso falar sobre a destruição do planeta. E é preciso falar sobre cultura. Estamos passando por momentos difíceis, tem um vazio de arte, não se pronuncia mais a palavra cultura. É uma crise mundial, mas no Brasil parece estar mais profunda. Porque aqui, também se trata de uma crise moral”
Sua obra o perpetuou, mesmo com a saúde frágil, ele continuava recebendo amigos em Nova Viçosa. Artistas e intelectuais o cercavam. Com a doença agravada, chegou a ficar internado, recentemente, em Teixeira de Freitas. Acabou transferido para o Hospital Samaritano, na Zona sul do Rio, onde ficou por um mês, até o momento do seu óbito.
O quadro de saúde do artista era considerado frágil, e ele chegou à capital fluminense com várias infecções. O corpo dele será cremado e as cinzas depositadas no sítio onde ele morava.
*Da Redação / Extremus21
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