Publicado em: 8 de janeiro de 2016 Atualizado:: janeiro 8, 2016
“É o início de uma carreira que vai ser brilhante”. Robson Conceição não começou a trocar os primeiros socos no ringue, mas é assim que o pugilista baiano encara o ano de 2016. O atleta decidiu se profissionalizar após os Jogos do Rio de Janeiro e sonha com as portas que uma medalha olímpica pode abrir na transição da carreira. “Pode mudar tudo. Uma medalha olímpica ajuda muito como incentivo e no patrocínio”, projeta.
Aos 27 anos, Robson avalia que a idade pede a mudança. “Eu acho que já passou da hora. A idade ideal pra passar pra profissional seria 20 ou 22 anos, mas creio que passando com 28 ainda dá muito tempo”, afirma. “Quero parar de lutar com 35 anos, então vou ter tempo suficiente. Quero ser campeão mundial no profissional. Esse é meu objetivo e meu sonho”, avisa o fã de Floyd Mayweather, Manny Pacquiao e Miguel Cotto.
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Nada de festa neste período de fim de ano. O pugilista baiano Robson Conceição não vai interromper os treinos na Academia Champion. Ele está focado nos Jogos Olímpicos do Rio 2016
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A vaga foi confirmada pela Associação Internacional de Boxe (Aiba), no início de dezembro. Robson herdou de Albert Selimov, do Azerbaijão, que conquistou a vaga olímpica pelo bom desempenho na Liga Mundial de Boxe. Como o estrangeiro já havia carimbado o passaporte para o Rio de Janeiro ao conquistar o terceiro lugar no Campeonato Mundial, realizado em outubro, em Doha, no Catar, a vaga foi passada para Robson, que ficou em quarto lugar na ocasião.
Experiente
Robson Conceição vai participar de sua terceira Olimpíada. Ele competiu em Pequim 2008, na China, e em Londres 2012, na Inglaterra. Nas duas edições foi derrotado logo na estreia por anfitriões.
Dessa vez, ele será o anfitrião e acredita que o resultado será bem diferente. “É sorteio e, infelizmente, tive o azar de lutar com atletas da casa nas minhas duas primeiras lutas. Isso influencia muito. Às vezes, o cara não ganha a luta, mas eles dão a luta pra ele porque está em casa. Nesses campeonatos, o atleta de casa dificilmente perde logo de cara. Foi uma das coisas que me atrapalharam”, analisa.
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Em Londres 2012, Robson (vermelho) perdeu para o inglês Josh Taylor |
O pugilista baiano está focado. Nada de farra com os amigos. Robson vai passar as festas de final de ano com a família, até porque vai tirar apenas dois ou três dias de folga. Concentrado, ele tem treinado em dois turnos, de segunda a sábado.
Disciplina não é um problema para Robson. Quando criança, costumava acordar às 4h para ajudar a avó na banquinha de verduras. “Já vendi picolé na praia, água na sinaleira, carreguei compras e trabalhei como ajudante de pedreiro”, conta o lutador nascido e criado no bairro de Boa Vista de São Caetano, na capital baiana.
Hoje, ele sustenta a filha Sofia, 1 ano, com o salário que recebe por ser atleta da seleção brasileira. Ciente da própria história de vida e dos desafios que enfrentou, Robson já se imagina no ringue diante da torcida verde e amarela durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Confiança
“Vou bem mais confiante. Estou mais experiente, maduro e vou ter a torcida toda do Brasil em casa”, avalia. “E terei mais responsabilidade. Representar seu país já é um peso imenso e representar aqui no Brasil é mais um peso ainda. Tem que estar bem e eu vou estar bem preparado para representar a nação brasileira”, promete o pugilista.
*Por Daniela Leone ([email protected])
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