Publicado em: 21 de fevereiro de 2025 Atualizado:: fevereiro 21, 2025
O rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais, em 5 de novembro de 2015, causou impactos diretos na economia e no meio ambiente do extremo sul da Bahia, conforme apontado durante a audiência pública realizada em Nova Viçosa (BA). Apesar das evidências claras dos danos provocados pelos rejeitos tóxicos na região, os municípios no extremo sul da Bahia foram excluídos do Acordo de Repactuação, homologado em novembro de 2024, firmado entre as empresas, governo federal e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo.
A Prefeitura e a Câmara Municipal de Nova Viçosa promoveram, na última terça-feira (18), uma audiência pública para discutir os impactos do desastre de Mariana (MG) no extremo extremo sul da Bahia. O evento teve duração de três horas e contou com uma expressiva participação popular, reunindo um grande público, incluindo pescadores e moradores, que acompanharam o encontro em um espaço lotado, com gente até mesmo nas janelas.
Mesmo diante de indícios de contaminação das águas e dos efeitos socioeconômicos evidentes, o extremo sul da Bahia foi excluído do acordo firmado entre as mineradoras e o poder público. O encontro reuniu autoridades, vereadores, especialistas do ICMBio, representantes das comunidades afetadas e advogados do escritório internacional Pogust Goodhead, que representa Nova Viçosa e outros quatro municípios no extremo sul da Bahia no processo em curso na Inglaterra.
Danos na região no extremo sul bahiano – Impactos ambientais
João Carlos (ICMBio) apresentou estudos científicos mostrando que os rejeitos da barragem chegaram ao extremo sul da Bahia, afetando o ecossitema. A lama contaminada com metalóides e metais pesados se acumulou no fundo do mar e nos rios, contaminando peixes, caranguejos, ostras e corais. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos foi afetado, com sinais de contaminação de dos corais e presença de metais pesados na fauna marinha.
Ação internacional
O advogado Guy Robson, sócio do Pogust Goodhead, afirmou que se sentiu honrado pelo convite da prefeitura na primeira audiência pública sobre o caso Mariana na Bahia.
Robson reforçou que o julgamento de responsabilidade na corte de Londres, iniciado em 21 de outubro de 2024, está em sua fase decisiva. As partes apresentarão em breve as alegações finais. Uma decisão à respeito da responsabilidade das empresas é esperada para meados de julho 2025.
“Queremos que a justiça seja feita pelo que aconteceu. Após muitos anos de luta no Espírito Santo, a área vizinha à Bahia foi reconhecida recentemente, incluindo municípios como São Mateus (ES) e Conceição da Barra (ES). Acredito que, se conseguirmos o reconhecimento na Bahia, será uma grande conquista. Aqui, os impactos estão ocultos no mar, dispersos em partículas na água, refletidos nas emoções e nas dificuldades financeiras de vocês. Precisam
*De Pogust Goodhead / [email protected]
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