Publicado em: 26 de julho de 2021 Atualizado:: julho 27, 2021
Uma fada brasileira que escreveu a própria história. Desde que um vídeo de Rayssa Leal andando de skate vestida de fadinha viralizou há seis anos, a vida da garota nascida em Imperatriz (MA) mudou: ela conheceu ídolos como Leticia Bufoni e Tony Hawk, viajou o mundo e passou a sustentar a família com os ganhos na modalidade. Foram muitos incentivos, inspirações e obstáculos até chegar aos Jogos Olímpicos, os primeiros do skate.
Nesta segunda (26.07), na pista de skate street do Ariake Urban Sports Park, em Tóquio, no Japão, Rayssa escreveu um capítulo que promete ser o início de muitas outras histórias, em especial as de meninas brasileiras, como ela. A maranhense de 13 anos e 6 meses conquistou a medalha de prata no street e se tornou a mais jovem medalhista olímpica brasileira de todos os tempos.
“Eu fico muito feliz de saber de todas as meninas que já me mandaram mensagens no Instagram falando que começaram a andar de skate ou que os pais deixaram elas começarem a andar por causa de um vídeo meu. Foi a mesma coisa comigo: mostrei um vídeo da Leticia (Bufoni) andando de skate, aí meu pai viu e falou: ‘Beleza’. A minha história e de muitas outras skatistas que quebraram esse preconceito, essa barreira que skate era só para meninos, para homens. Eu estar aqui e segurar uma medalha olímpica é muito importante pra mim”, conta a menina de 35kg e 1,47m.
Rayssa começou a disputa em Tóquio ao lado de outras duas brasileiras: Pâmela Rosa, primeira no ranking mundial da modalidade, e Leticia Bufoni, ela mesma, que inspirou a própria Rayssa a começar na modalidade. As duas, no entanto, tiveram dificuldades e não conseguiram avançar para a final. Pâmela depois postou uma foto do tornozelo esquerdo inchado, mostrando que competiu no sacrifício. E Leticia viu a final escapar por um triz, depois de calcular errado a nota que precisava para avançar.
Brincadeira de criança
Se o sonho de uma dobradinha ou quem sabe até um trio no pódio acabou ali, o de Rayssa Leal estava apenas começando. Dançando, brincando, sorrindo, ela parecia não sentir pressão alguma e aos poucos ia conseguindo as notas de que precisava. “Eu tento me divertir ao máximo, porque tenho certeza de que se me divertir, deixar acontecer naturalmente, a coisa flui”, explica. No fim, somou 14.64 pontos, garantindo a prata. O ouro foi para a japonesa Momiji Nishiya, também de 13 anos, que fez 15.26, e o bronze ficou com a também nipônica Funa Nakayama, de 16, com 14.49.
Depois de receber a medalha, Rayssa continuou se divertindo e brincando até mesmo na hora de falar com os jornalistas. A mascote que ela ganhou de repente virou “meu bebezinho”. Sobre a medalha de meio quilo, Rayssa brincou: “Ela pesa mais que eu”. E quando foi informada que já estava com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, soltou um grito: “Quê? O que é isso, minha gente?”. Com a confirmação da informação (durante a produção deste texto, o número já havia subido para 2 milhões e 200 mil), ela não escondeu a felicidade. “Desde que comecei nas redes sociais, sempre foi um sonho ganhar meu primeiro milhão de seguidores, e agora tenho dois?”, espantou-se a mais nova medalhista brasileira .
*POR Mateus Baeta, de Tóquio, no Japão – rededoesporte.gov.br
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