Publicado em: 6 de novembro de 2018 Atualizado:: novembro 6, 2018

Único deputado federal da Bahia oriundo do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, Valmir Assunção (PT) criticou as declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) que tratará como terroristas organizações como o MST, numa tentativa de criminalizar o movimento.
“Qualquer tipo de cerceamento da organização do povo brasileiro pode ser considerado como política autoritária e deve ser repudiada. Até porque isso vai de encontro a Constituição Federal, que versa sobre o direito à organização e também versa sobre a função social da propriedade. Não só o MST, mas também os mais diversos movimentos sociais possuem causas importantes e lutam para a redução de desigualdades. E uma das maiores desigualdades existentes está, justamente, na estrutura fundiária do nosso país”.
Reeleito em outubro, Valmir diz não acreditar que a proposta seja discutida até o final do ano. Ao contrário do Senado, cuja matéria foi transformada em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “É assim que vamos proceder na Câmara com qualquer projeto que queira censurar de forma autoritária a organização do povo”, ressaltou.
Com a possibilidade de a população ter o direito ao posse de arma, e as declarações de Bolsonaro sobre os proprietários revidarem a alguma ocupação do MST, Valmir Assunção acredita que a proposta pode aumentar a violência, “principalmente contra os mais pobres, que não terão condições de adquirir arma”.
“Armar a população nunca foi a solução. Este tipo de proposta tende a aumentar cada vez mais a violência, principalmente contra os mais pobres, que não terão condições de adquirir arma. Somente a proposta fez com que algumas pessoas se colocassem em situações de risco, inclusive com casos de morte. No caso do meio rural, o golpe de 2016 abriu as porteiras para a violência do latifúndio. Os dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que, somente em 2017, foram 70 assassinatos contra trabalhadores, indígenas, quilombolas ou ribeirinhos. Ou seja, a ausência de políticas de democratização da terra ocasionam a barbárie e a morte. E isto é inaceitável em qualquer sociedade civilizada”.
*POR Cíntia Kelly / VN
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