Publicado em: 1 de setembro de 2016 Atualizado:: setembro 2, 2016
Verônica Almeida é uma das representantes da Bahia nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. A nadadora sofre da Síndrome de Ehlers-Danlos, que é causada por um defeito na síntese do colágeno que, infelizmente, não tem cura. Por conta da deficiência, Verônica “mergulhou” na piscina para frear o avanço da síndrome. E deu certo! A paratleta já conquistou medalha em Mundial, Parapan e Paralímpiada. No Rio de Janeiro, Verônica vai tentar escrever uma nova história.
Formada em Educação Física, ela revelou, no dia do educador físico, como foi ter que deixar de dar aula por conta da síndrome: “A educação física sempre foi uma paixão para mim. Eu só parei devido ao uso da cadeira de rodas. Na época, eu fui demitida por não causar boa impressão na academia. Se um dia eu voltar a andar, pode ter certeza que eu vou voltar a dar aula. Isso sempre me completou muito mais do que ser atleta”, disse.
Apesar da falta de incentivo ao esporte ser um problema recorrente na Bahia, Verônica não passou por isso desta vez. A nova piscina olímpica foi de extrema importância para ela, que conseguiu fazer toda sua preparação em Salvador: “Fiz todo o treinamento em Salvador, na piscina nova. Foi muito mais intenso, mais forte. A piscina olímpica, veio para mim, na hora certa. Você treinar em uma piscina na distância que você vai competir é fundamental”, contou.

(Foto: Pedro Moraes/ GOVBA)
Um dos momentos mais marcantes da vida de Verônica foi a travessia Mar Grande-Salvador. No dia 12 de janeiro de 2015, Verônica completou a travessia no nado borboleta em 04h56min e colocou seu nome no Guinness Book, o livro dos recordes: “Foram 13 km nadando borboleta com um braço. Uma vez tinham me dito que era possível completar a prova e isso ficou na minha cabeça durante três anos. Aquilo pra mim, era como ultrapassar minha própria barreira”, comentou.
A paratleta sempre nadou os 50 metros borboleta e foi nessa prova que conquistou suas medalhas mais importantes. No entanto, pela primeira vez na carreira, Verônica vai nadar outras provas em uma Paralimpíada: “Esse ano, pela primeira vez, eu vou estar competindo também os 100 metros peito e os 200 metros medley. Ainda estou disputando uma vaga no revezamento 4×100 metros livre. Eu me sinto muito mais treinada, muito mais experiente. Meus melhores tempos saíram esse ano. Estou indo para fazer o meu melhor”, disse.
Para finalizar, Verônica ainda comentou sobre a ansiedade de competir “em casa” e como faz para lidar com a pressão de representar o país na Paralimpíada do Rio 2016: “Eu faço um trabalho com psicólogo, na piscina é muito cabeça. Se você não tiver bem naquele dia, uma boa parte de sua prova está perdida. Imagine a torcida inteira gritando seu nome. Isso ajuda muito, mas também pode atrapalhar. Eu consigo me concentrar. Antes de chegar na minha raia, já estou muito concentrada”, finalizou.
*João Gabriel Leiro
*sob supervisão de Henrique Brinco/ Varela noticias
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