Publicado em: 10 de junho de 2013 Atualizado:: junho 10, 2013
A Fundação Mamãe África de Caravelas e a Associação Quilombola de Vila Juazeiro, recepcionaram na tarde deste sábado (08/06), no povoamento de Vila Juazeiro no município de Ibirapuã, diversos representantes de entidades não governamentais e públicas para a segunda reunião de formação para a realização do 1º Fórum Afro-Indígena do Extremo Sul da Bahia. A primeira reunião ocorreu no quilombo de Rancho Alegre no município de Caravelas e na segunda reunião em Vila Juazeiro, se definiu que o evento ocorrerá nos dias 13, 14 e 15 de setembro de 2013, no próprio quilombo de Vila Juazeiro.
A presidente da Associação Quilombola de Vila Juazeiro, Fernanda Santos Américo levou todos seus diretores para a reunião e defendeu o Fórum na sua comunidade. A segunda reunião contou com a presença de Alex Viana, do Projeto AJURI-PJR do Extremo Sul da Bahia; Joana Angélica, articuladora Diocesana da Comunidade Eclesial de Base – CEBS; Thiago Medeiros, coordenador diocesano da Pastoral da Juventude; Nelzivan Santos, da Câmara Territorial de Juventude do Extremo Sul da Bahia; e Juca Andrade, mobilizador do SENAR, gestor da casa de Recuperação de Dependentes Químicos de Mucuri e membro do conselho fiscal da Fundação Mamãe África de Caravelas.
A reunião ainda contou com a presença do secretário municipal de Educação de Ibirapuã, Ronaldo Bandeira; e do representante territorial no extremo sul da Secretária de Estado da Cultura, Junieques Santos; e dos jornalistas Athylla Borborema e Rubens Floriano, presidente e vice-presidente respectivamente do Conselho Administrativo da Fundação Mamãe África de Caravelas, além de diversas outras pessoas ligadas a entidades sociais da região. O presidente Athylla Borborema disse que o evento está sendo proporcionado para possibilitar reunir diferentes programas, manifestações, projetos e ações voltados para o desenvolvimento humano, social, econômico, cultural, ambiental e preservação do patrimônio da histórica-memória das comunidades quilombolas, indígenas, caboclas e ribeirinhas da região, razão pela qual, várias outras instituições sociais também estão sendo convidadas para se juntarem na realização deste acontecimento cultural.
Conforme Núbia Américo, coordenadora de articulação da Associação Quilombola de Vila Juazeiro e integrante do Conselho Estadual de Quilombolas, o Fórum servirá para unir as entidades sociais da região em prol das causas das comunidades tradicionais e para que tenhamos consciência da nossa historia e reconheçamos os nossos direitos e passemos a atuar nas esferas de distinção, de fortalecimento das entidades e responsabilidade na sociedade, tanto que o evento irá ocorrer dentro de uma comunidade tradicional para que a familiarização e o reconhecimento sejam reais (Quilombo de Vila Juazeiro).
Junieques Santos disse que o objetivo da Secretaria Estadual de Cultura é buscar parcerias essenciais como esta, para que haja estabilidade nas políticas culturais da Bahia e o Estado tem estado presente nas propostas dos eventos culturais regionais e contemplando uma diversidade territorial maior possível. Junieques Santos ainda defendeu a necessidade da conservação e valorização da cultura quilombola e indígena, reconhecendo que muitas vezes acaba sendo esquecida ou diminuída em relação a outros tipos de cultura, mas que no atual governo, o estado da Bahia avançou 20 anos neste aspecto e tem trabalhando diuturnamente para que esta realidade de fortalecimento cultural cresça a cada dia.
O secretário municipal de Educação de Ibirapuã, Ronaldo Bandeira, destacou que todas as discussões foram marcadas pelo evidente interesse de todos os participantes pela realização do Fórum Regional acerca do desenvolvimento do setor cultural e também defendeu a realização do evento e fez um chamamento as entidades e as empresas que se dispõe a trabalhar para alcançar esse desenvolvimento para que se realize um evento afro-indígena verdadeiramente estimulante.
O jornalista Rubens Floriano, vice-presidente da Fundação Mamãe África, ressaltou a importância do evento para a região: “Temos uma contribuição histórica no extremo sul, contribuição de negros e índios que nunca tiveram verdadeiramente os méritos atribuídos a eles, por isso a Fundação Mamãe África é parceira não só na elaboração da proposta do encontro mais também na sua execução, por acreditar que essa mobilização se faz necessária e urgente”.
Para o radialista Neuzivan dos Santos, membro da executiva da Câmara Territorial de Juventude do Extremo Sul, promover ações de valorização das comunidades tradicionais e indígenas é mais que uma obrigação dos agentes de promoção social: “Não vejo outra maneira, se não provocarmos quem de fato possa nos atender, a Câmara Territorial é mais que parceira desse encontro, é mobilizadora e fomentadora dos atos de valorização dessas culturas”.
Conforme Alex Viana, membro do Projeto AJURI-PJR do Extremo Sul da Bahia e um dos coordenadores do evento, informou que o objeto do 1º Fórum Afro-Indígena do Extremo Sul da Bahia, a se realizar nos dias 13, 14 e 15 de setembro próximo, no quilombo de Vila Juazeiro, em Ibirapuã, trará o tema: “Valorização e Reapoderamento Sócio Cultural de um Povo”, com sub-temas como, cultura afro-indígena, criminalização da juventude, acesso das políticas públicas para as comunidades tradicionais e demarcação de terras.
Para a articuladora Diocesana Joana Angélica, o Fórum Afro-Indígena confirmará a unidade que uniu o passado histórico dos indígenas do Brasil e da África, e celebrará uma importante conexão das nossas diferenças religiosas que deixam ver sem dúvida que somos parte de um só grande espírito e da riqueza da criação. E o evento é de superior importância para que o evento mostre a superação das dificuldades das comunidades em retomar alguns costumes e práticas deixadas para trás ao longo das décadas.
O povoado mocambo de Vila Juazeiro, no município de Ibirapuã, foi reconhecido em 2009 pela Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura e é atualmente gerido pela Associação Quilombola de Vila Juazeiro, entidade que trabalha com o esforço conjunto de lideranças comunitárias territoriais, sociais, econômicas, culturais e educacionais da sua comunidade quilombola no meio rural. A comunidade quilombola de Vila Juazeiro ainda é assistida socialmente e na inclusão do seu reconhecimento pela Fundação Mamãe África de Caravelas, instituição chancelada pela Universidade de Brasília (UnB) e regida pelo Ministério Público do Estado da Bahia, e é a principal organização social que representa as políticas sociais em favor das comunidades tradicionais remanescentes de quilombolas nos municípios do extremo sul da Bahia.
*Da Redação
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