A tradicional Festa Bembé do Mercado, que celebra a abolição da escravatura com a memória da luta e resistência do povo negro, acontece desta quarta-feira até domingo (13 a 17), no município de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. Patrimônio Imaterial da Bahia, o evento tem apoio do Governo do Estado, por meio das secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e da Cultura (Secult), que garantiu a estrutura necessária para as atividades.
Já estão confirmadas as presenças já confirmadas estão o ministro da Cultura, Juca Ferreira, a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, e os titulares da Secult e Sepromi, Jorge Portugal e Vera Lúcia Barbosa, respectivamente, entre outras autoridades federais, estaduais e municipais, além de personalidades artísticas. A abertura está marcada para as 5h de quarta (13), com alvorada e preceitos no Barracão, na Praça do Mercado Municipal.
‘África Mãe Ancestral’
Às 15h, ocorre o seminário ‘África Mãe Ancestral’, seguido de apresentações culturais e posse do Conselho Gestor do Bembé, formado por representantes de povos de terreiros, do poder público e de universidades, e do diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), João Carlos de Oliveira.Durante o dia, serão lançados a nova edição do livro ‘Festa do Bembé’, com mais de 170 imagens (entre fotografias, mapas e infográficos), e um videodocumentário reuindo depoimentos de participantes e organizadores da festa, ambos produzidos pelo Ipac. Às 21h tem início o ‘Xirê’, palavra em yorubá, que significa roda ou dança, utilizada para reverenciar e festejar os orixás.
Conselho Gestor
Segundo o diretor do Ipac, além das comemorações é importante promover ações de proteção à festa. “Trata-se de uma manifestação popular, um bem cultural intangível, que depende das comunidades para existir, por ser um fenômeno espontâneo, social e religioso. Por isso, na abertura [do evento], anunciaremos um Conselho Gestor da Festa do Bembé”. O conselho terá representantes de órgãos e secretarias municipais e estaduais, além de integrantes da sociedade civil e dos terreiros de candomblé.
Em 13 de maio de 1889, um ano após a publicação da Lei Áurea, os negros de Santo Amaro resolveram festejar, em praça pública, o primeiro aniversário da abolição. Na época, os barões ameaçaram, e a polícia proibiu o aglomerado de pessoas. Mesmo com as dificuldades, milhares de libertos se reuniram, no Mercado de Santo Amaro, para um ritual de candomblé e agradecimento aos orixás.
*Da Redação