Lama de barragens da Samarco chega em Baixo Guandu
Técnicos da Secretaria de Meio Ambiente de Vitória informaram que a lama de rejeitos da Samarco, que atinge o Rio Doce, ameaça toda a cadeia marinha e também os frequentadores da praia.
“A lama tem um comportamento diferente, mais lento, depende da vazão e da velocidade, mas atingirá a costa por conta do vento predominante em nossa região, que é o nordeste. Ao atingir Linhares, a tendência é que chegue em Vitória”, disse o oceanógrafo Paulo Rodrigues, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que atua no Projeto Tamar.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Vitória, Luiz Emanuel Zouain, que reuniu sua equipe técnica para avaliar o impacto do encontro dos rejeitos com o litoral de Regência, a balneabilidade ficará comprometida e a lama pode afetar também os manguezais. “Com isso, a cata de caranguejo e a pesca terão que ser proibidas. Nada poderá ser consumido sem análise prévia”, lembrou o secretário.
O biólogo e ambientalista André Ruschi já havia comentado a chegada dos rejeitos rompidos das barragens da Samarco no Espírito Santo.”Se chegar no mar, a lama vai acabar com a maior diversidade marinha do mundo, presente no litoral do Estado”.
Em
entrevista ao Gazeta Online, ele afirmou que autoridades e engenheiros erram quando facilitam a passagem da lama pela calha do Rio Doce, abrindo o caminho para o mar.
“Os rejeitos, ao contrário do que eles dizem, são tóxicos e, quando chegarem na foz, vão entrar no Giro de Vitória, corrente marinha entre Vitória e a foz do Rio Doce. É uma corrente cercada por cordilheiras marinhas, o que prejudica a circulação do material, que ficará no mar por muito tempo”, explica André.
Abrolhos
Com o trajeto dos rejeitos de minério da Samarco pelo Rio Doce,
ambientalistas temem que a lama que chegar ao mar através de Regência, em Linhares, possa afetar um dos mais importantes ecossistemas do Brasil: os recifes de corais de Abrolhos.
“Nossa preocupação é com a possível contaminação da foz com metais pesados e a mortalidade de animais aquáticos por onde a lama passa. A quantidade de partículas em suspensão está asfixiando os bichos”, diz Antônio Serra de Almeida, gestor da Reserva Biológica de Comboios, ao jornal Extra e O Globo.
Veja vídeos do rompimento da barragem