Publicado em: 26 de fevereiro de 2026 Atualizado:: fevereiro 27, 2026

O entardecer desta quinta-feira (26/02) silenciou de forma definitiva uma das vozes mais respeitadas da foz do Rio Imbassuaba, no litoral norte de Prado. Em sua propriedade rural, adjacente ao distrito de Cumuruxatiba, faleceu o produtor rural Antônio Guedes da Silva, atual patriarca da tradicional família Guedes Borborema. Ele completaria 86 anos no próximo dia 4 de abril. Partiu em casa, cercado pelo chão que amou e pela paisagem que ajudou a preservar, um dia após receber alta hospitalar.
Nascido em 4 de abril de 1940, na fazenda Aíriz, na Foz do Rio Cahy – propriedade de seus pais -, seu Antônio cresceu entre o rio, a mata e as histórias de bravura que moldaram a linhagem familiar. Desde 1944 residia na propriedade onde os Guedes estão radicados desde 1612, reconhecidos como a família aborígene de árvore genealógica mais preservada, numerosa e antiga do município de Prado. Ele era o mais velho dos 20 filhos do casal de bandeirantes Lúcio Guedes da Silva e Madalena Nunes Borborema, nomes que se confundem com a própria ocupação histórica da região.
Deixou viúva Angelita Miranda da Silva, indígena com quem construiu um casamento de 57 anos, um companheiro até o último suspiro, o casal teve 6 filhos, além de ter deixado 10 netos. A união foi símbolo de resistência, prosperidade e continuidade de uma linhagem “Guedes Borborema” que hoje soma cerca de 850 familiares radicados na foz do Rio Imbassuaba. No final do mês passado, em 28 de janeiro, seu Antônio Guedes da Silva já havia sentido o peso da despedida ao perder a sua penúltima tia materna, Cacilda Borborema, outra bandeirante que formou numerosa descendência na região do Riacho das Ostras, também no município de Prado.
A morte de Antônio Guedes da Silva ocorreu após uma recaída, um dia depois de receber alta do Hospital de Base Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas, onde permaneceu internado por 14 dias para o tratamento de três carcinomas basocelular decorrentes de uma remoção dermatologista. Voltou para casa, para o seu território de raízes profundas, e ali encerrou sua jornada – como quem escolhe repousar exatamente onde a própria história começou.
Considerado o mais velho e também o mais sábio da família Guedes Borborema, Antônio Guedes da Silva era homem da roça que apreciava bons livros, dono de memória afiada e de uma inteligência rural singular. Narrador de causos, intérprete das estações, conselheiro natural das novas gerações, tinha uma forma admirável de enxergar o mundo – misto de simplicidade, firmeza e visão histórica. Com sua partida, o papel patriarcal da família passa a ser assumido pelos dois irmãos mais velhos dos 13 vivos, dentre os 20 filhos que teve o casal Lúcio e Madalena: Valdomiro Guedes da Silva, de 82 anos, e Maria Borborema da Silva, de 83.
Seu Antônio não era apenas um produtor rural. Era um arquivo vivo, um elo entre séculos, um guardião das tradições pradenses. Sua ausência deixa silêncio na varanda, mas sua presença permanece entranhada na cultura, na história e nas terras do litoral norte do município de Prado – como raiz que não se arranca, apenas se aprofunda na memória coletiva. O velório acontece na sua residência, na proprieddae da família, na própria comunidade dos Guedes Borborema e o sepultamento está marcado para o final da tarde desta sexta-feira (27, no Cemitério Campo Santo, no distrito de Cumuruxatiba.
*Da Redação
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