Publicado em: 17 de outubro de 2020 Atualizado:: outubro 17, 2020

A bancada da Rede de Sustentabilidade e Cidadania no Senado Federal entraram com uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar contra o senador pelo Democratas e ex- vice-líder do governo Bolsonaro na Casa, Chico Rodrigues (DEM-RR), neste sexta-feira, 16.
O senador do Democratas foi alvo de uma ação da Polícia Federal (PF) que investiga desvios de recursos de emendas parlamentares destinadas ao combate ao novo coronavírus em Roraima. O caso ganhou ampla repercussão por conta de informações da operação que foram vazadas e revelaram que Rodrigues tentou esconder cerca de R$ 30 mil nas calças.
“Como se não bastasse a vergonhosa alegação de que um senador da República se prestou a desviar dinheiro público em proveito pessoal,sobrevêm ainda dois fatos inquestionáveis , quais sejam de que ele: obstruiu investigação e diligência policial e ocultou valores em partes íntimas”, diz a representação que acusa o senador da República de quebra do decoro parlamentar.
Os partidos apontam “fortes indícios”, ainda sujeitos “à apreciação judicial, da “participação do senador Chico Rodrigues”, ao menos, “nas supostas fraudes relacionadas à aquisição de kits de teste rápido para detecção de Covid-19”.
Nesta sexta-feira, 16, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, enviou ao plenário da Casa sua decisão de pedir o afastamento do senador Chico Rodrigues (DEM), enviado ao Senado Federal na última quinta-feira (15).
O pedido gerou revolta em alguns senadores, que lembram da decisão do próprio tribunal em 2017, que definiu que o afastamento do parlamentar no pleno exercício de sua atividade só poderá ser realizado pelo Congresso Nacional.
“A decisão do STF de afastar o senador não tem nenhum efeito prático. Apenas constrange o Senado Federal. A ampla defesa é garantia de todos, até num caso grave como esse envolvendo o Chico Rodrigues”, destacou o senador Angelo Coronel.
Um dos articuladores de um movimento que cobra uma resposta dura ao Supremo pela decisão de seu ministro, Coronel classificou o ato como “uma interferência de um poder contra o outro”.
O senador do PSD ressalta que um eventual afastamento de um senador da República só poderá ser executado pelo Senado. “Vamos juntar os senadores para sairmos em uma posição urgente. Vamos chamar o senador Chico Rodrigues para o Conselho de Ética, para que ele possa se explicar ou não, para, a partir daí, o Senado dar um veredito. Este é o papel do Senado, de cassar ou não o mandato de um senador, e não do Supremo”.
*POR Raul Aguilar
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