Publicado em: 9 de junho de 2015 Atualizado:: junho 9, 2015
Na Bahia, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) parece “grande demais” para continuar sendo a legenda do deputado estadual Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa. Nilo não vê a hora de deixar a agremiação, mas aguarda uma brecha na lei para sair na boa, sem prejuízos ao seu mandato de parlamentar.
Nos últimos dias, o próprio Marcelo Nilo, ao ser convidado para o uso da palavra em evento do PT em Salvador, anunciou a saída da legenda. A decisão foi tomada após o presidente nacional do partido, Carlos Lupi, garantir a Félix Mendonça Jr. a permanência na presidência do partido pelo menos até o final de novembro. Nilo e Félix tornaram-se inimigos brutais dentro do PDT.
Alguns pedetistas chegaram a afirmar que Nilo agiu no calor da emoção, devido ao desgaste que lhe rendeu na queda de braço com o deputado federal Félix Mendonça Jr. pela presidência do partido, mas, a decisão foi após reconhecer a derrota pela disputa do Diretório Estadual.
Marcelo Nilo filiou-se ao PDT em 2009, após deixar o PSDB, partido que escolheu para dar início à sua vida pública, em 1990. “O PDT tomou novos rumos como o PSDB, e por isso tomarei também o meu”, justificou no discurso para uma plateia de petistas baianos, aliados do chefe do Legislativo desde que Jaques Wagner (PT) tomou posse pela primeira vez no cargo de governador da Bahia, em 2007.
MANDATO É DO PARTIDO, NÃO DO CANDIDATO
Pelas regras atuais, se eleito, o político deve permanecer na legenda até o final do mandato, salvo em casos como fusão partidária ou justa causa, como determina a lei eleitoral. Caso contrário, perde o mandato, já que, segundo a Justiça Eleitoral, o mandato pertence ao partido.
Mas, o relatório da reforma política cria uma janela de 30 dias, após a promulgação da nova lei eleitoral, o que permite a deputados federais, estaduais e vereadores mudarem de partido sem que seus mandatos sejam questionados na Justiça Eleitoral.
Com a possibilidade da brecha, sem que o político seja punido pela infidelidade partidária, Nilo adiantou seus passos e foi ao encontro, em Brasília, do presidente nacional do PSD e principal articulador da recriação do Partido Liberal (PL), o ministro das Cidades, Gilberto Kassab. A reunião tête-à-tête foi arranjada pelo senador e presidente do PSD na Bahia, Otto Alencar.
Nilo saiu do encontro com a garantia de presidir o PL na Bahia. Além dele, os ex-deputados Clóvis Ferraz e Edson Pimenta, atualmente filiados ao PSD, seriam os responsáveis por recolher assinaturas dos eleitores baianos.
Ao jornal Tribuna da Bahia, Ferraz informou que as assinaturas já foram recolhidas em diversos municípios baianos, mas elas ainda não foram enviadas aos cartórios eleitorais para homologação.
Já Otto Alencar afirmou ser “natural” a debandada de políticos do PSD com a criação do PL.“Se eu não respeitar, estaria de encontro a minha própria história. Me elegi pelo Partido Progressista e construí o PSD. O político não aceita as diretrizes do partido, acha que não está tendo espaço, aí você vai buscar espaço. Isso acontece antes e depois de Cristo”, minimizou.
Com a recriação do PL, a expectativa de debandada de políticos com mandato é grande na Bahia. Na Assembleia Legislativa, o PDT, por exemplo, conta com quatro deputados – Euclides Fernandes, Marcelo Nilo, Roberto Carlos e Vitor Bonfim, além de Paulo Câmera, que tirou licença para assumir à Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri).
Do PSD são seis os parlamentares que ocupam cadeiras na Casa – Adolfo Menezes, Alan Sanches, Angela Sousa, Angelo Coronel, Carlos Ubaldino, Ivana Bastos, Robério Oliveira e Rogério Andrade. Desses, Sanches, pode aportar no PL, como o próprio Otto já revelou. Além dele, Adolfo Menezes, vice-presidente da Assembleia Legislativa, é tido como fiel escudeiro de Nilo e poderá seguir os passos do aliado.
O Ministério Público Eleitoral já apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) parecer favorável ao processo de registro do PL. No documento, o vice-procurador-geral eleitoral, Eugênio Aragão, defende que o pedido de registro seja aceito mesmo sem a apresentação de todas as assinaturas de apoio necessárias.
Pela lei, para obter o registro, um partido tem que apresentar cerca de 484 mil assinaturas de pessoas que apoiam sua criação. No pedido feito ao TSE, o PL apresentou 167.627 assinaturas, além de não ter comprovado a criação de diretórios regionais em ano menos nove estados.
Em 2011, o PSD deu entrada no processo de criação sem também apresentar apoio necessário.
O caminho
Após embate fervoroso, com o presidente do PDT na Bahia, Félix Mendonça Jr., é certo que Nilo não se sente mais à vontade no ninho pedetista e já articula novos rumos.
O PL é o caminho mais certo e com ele devem ir os atuais secretários estaduais de Administração Penitenciária e Ressocialização, Nestor Duarte, e o da Agricultura, Paulo Câmera. Este último é deputado estadual e tirou licença para assumir a Seagri, após o governador Rui Costa (PT) demitir a ex-secretária Fernanda Mendonça, prima de Félix Jr. e indicada por ele para o posto.
Rui e Félix romperam relações políticas no início do ano, após o pedetista emplacar sua irmã, a ex-vereadora Andrea Mendonça na Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Emprego de Salvador (Sedes), cidade comandada pelo prefeito ACM Neto (DEM), principal liderança oposicionista ao governo petista no estado.
Entre os atuais deputados estaduais com mandatos na Assembleia Legislativa da Bahia é dúvida se vão se aventurar na nova empreitada do presidente da AL os parlamentares Euclides Fernandes, Roberto Carlos e Vitor Bonfim.
Outros nomes, considerados históricos e de peso dentro do PDT como Alexandre Brust, atual presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), e o ex-deputado Severiano Alves, indicado recentemente por Lupi para assumir a Superintendência Regional do Trabalho e do Emprego na Bahia (STRE-BA), não devem acompanhar Nilo.
Sobre a possível debandada de pedetistas que acompanharão o chefe do Poder Legislativo baiano, Félix Mendonça Jr. afirmou ser natural. “Veja o partido como um trem, que para em algumas estações. E nessas estações alguns descem, outros sobem, mas o partido continua. Mesmo que alguns saiam, outros vão entrar. É um movimento normal partidário”, opinou.
Félix Mendonça Jr. continuará na preparação do partido para o pleito municipal do ano que vem. Pelas previsões, antes do anúncio da saída de Marcelo Nilo, o dirigente partidário pretendia controlar a maioria dos diretórios dos dez maiores colégios eleitorais, entre eles Salvador e Feira de Santana. Já Nilo enviou à Executiva Nacional uma lista com 180 municípios que pretendia controlar, se permanecesse na agremiação.
O seu espólio deve ser dividido entre as lideranças partidárias que permanecerem filiados à sigla. “Vamos liberar os municípios para fazer as provisórias na outra semana. Depois dos diretórios municipais prontos vamos pensar no estadual. Ou seja, tudo continua no mesmo caminho que antes”, disse o presidente do PDT.
(Informações do jornal Tribuna da Bahia)
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