“É importante que esses profissionais tenham um repertório leitor que sirva de base para a seleção de narrativas em que circulem temas relevantes e, por conseguinte, revelem a linguagem plurissignificativa tão cara para a literatura. Projetos de incentivo à leitura, desde a infância, contribuirão de maneira assertiva para a formação leitora das crianças na escola e em casa”, defende com propriedade do lugar que ocupa, tanto como autora como educadora.
Educação e literatura antirracista
A pesquisa nacional Educação, Valores e Direitos, realizada pelo Instituto Datafolha e encomendada pelas organizações Ação Educativa e Cenpece, apontou que nove em cada dez brasileiros concordam que a discriminação racial seja discutida pelos professores em sala de aula. Uma educação e leitura antirracista são pontos que a professora Márcia vem trabalhando e estudando ao longo dos últimos 10 anos.

Autora de livros como Dandara, cadê você?, lançado em 2018 pela Editora Metanoia, cuja protagonista negra quer saber o porquê do seu nome, Márcia se dedica a pesquisar sobre mulheres negras apagadas na literatura brasileira e na história oficial. Para ela, a discussão racial nas escolas vai além do debate e pode ser exercida com escolhas literárias que fomentem a representatividade negra. “Explicitar em minhas narrativas o protagonismo negro abre portas para tecer uma educação antirracista, uma prática “cotidiDiária” na escola através da poesia. É importante para a criança negra “se ver bonita, feliz, inteligente nas narrativas que são contadas e lidas com/para elas”, defende.
Em sua sexta obra literária dedicada ao público infanto-juvenil – o livro Maria Felipa, Força e Poesia – a protagonista é inspirada na heroína real de mesmo nome que lutou para a conquista da Independência da Bahia e, por consequência, do Brasil. “Ela emerge como descendente da Maria Felipa de Oliveira e, com as memórias da família, o canto e as narrativas das marisqueiras, o gosto pelas águas que bailam no mar da Ilha de Itaparica, brinca para honrar àquela que história oficial escondeu, mas não apagou”, resume. O livro tem lançamento marcado para o próximo dia 16 de julho, às 16h30 na Livraria LDM, do Shopping Paseo.
Para Márcia, a Lei 5.108/2019 em consonância com a Lei 10639/2003, que institui o ensino da “História e Cultura Afro-Brasileira”, deve fazer parte do ensino o ano inteiro em todos os componentes curriculares. “Na luta antirracista a linguagem literária tem também um papel preponderante de ler e contar narrativas que contribuam para curar feridas porque, como sinaliza a professora Glenda Melo, a linguagem fere, mas também pode curar. A literatura abre possibilidades para recriar mundos destruídos, por isso deve também ser pensada para todas as infâncias”, finaliza Márcia Mendes.


