Publicado em: 28 de março de 2014 Atualizado:: março 28, 2014
O deputado estadual e coordenador da bancada católica da Assembleia Legislativa da Bahia, Yulo Oiticica, recebeu dezenas de padres, diáconos e lideranças religiosas do estado para debater o encontro entre fé e política. A reunião, realizada na sala Herculano de Menezes, revelou diferentes opiniões sobre a participação dos católicos na vida política. Contudo, a conclusão foi quase unânime e ressaltada pelo deputado ao final do encontro. “Temos que abraçar este desafio de levar nosso povo a fazer política séria. E esse é um dos objetivos de meu mandato, ser um exemplo para que outros homens de princípios e fé assumam os espaços de decisão na sociedade”.
A reunião foi inciada com uma oração, seguida da apresentação de um vídeo que narra a trajetória política do deputado. Padre Severino, da paróquia de Sussuarana, completou informações sobre o deputado contando o surgimento da ideia de fazer de Yulo um representante da Igreja no legislativo. “Meditamos muito e chegamos a conclusão de que só com nossa participação poderíamos transformar a política em um espaço que não nos dê tanta vergonha”, disse o religioso. Ele acrescentou que Yulo nasceu da Igreja, mas nasceu para todos, ao fazer referência à pré-candidatura do político ao cargo de deputado federal. Padre Severino colocou ainda que com o processo de envolvimento político aprendeu muito com Yulo. “A sua maneira de unir a comunidade de Pau da Lima em torno de objetivos coletivos foi algo que aprendi e coloquei em prática quando fui para a Paraíba”, conta.
Sobre a possível ida de Yulo para Brasília, “onde terá mais condição de lutar pelos Direitos Humanos”, o coordenador da Pastoral das Crianças, Cosme Oliveira dos Santos, demonstrou uma mistura de sentimentos. “Yulo é uma raridade que tem que ser expandida para toda nação, mas para nós que dependemos tanto do seu trabalho, fica um sentimento de perda”. Mas foi o próprio Cosme que alertou para o fato de que sua “perda” só acontecerá se a igreja começar a participar mais ativamente dos processos políticos. “A igreja tem que ser mais ativa, tem que entender que só com o engajamento poderemos colocar mais homens como Yulo para defender os interesses dos homens de bem”, disse. Para padre Jorge, da paróquia de Pau da Lima, a participação da Igreja na política tem a ver com o sentido de caridade que vem substituindo a ideia de esmola. “A caridade é algo bom que damos e perdura no tempo, já a esmola escraviza”, explicou. Ele explicou que participando da política e colocando pessoas de bem nos espaços de decisão se está sendo caridoso, mas a não participação acaba permitindo que o povo seja escravo da vontade de quem não tem boas intenções”.
O pároco de Pau da Lima, lembrou que a ideia de participação política dos católicos está sendo difundida pelo próprio Papa Francisco. “Ele pensa como quem está pensando no bem do outro e pede que apoiemos nossos leigos no trabalho político. Não tenhamos medo de levantar bandeira”, declarou. Para reforçar sua fala, o padre contou que desde o começo de sua vida religiosa tem levantado bandeiras de luta. “Só para dar um exemplo, lutei muito contra o coronelismo da política baiana, e o fiz porque acredito que é para a liberdade que o Cristo nos libertou”, completou.
Complexidade
Os líderes presentes demostraram entender a necessidade de orientar os fieis sobre processos políticos e eleitorais, mas não sem explicar as dificuldades que tem para tanto. Muitos relataram que os católicos tem preconceito sobre política e políticos. Frei Valdo, foi um deles. Ele disse que tirar esse preconceito não é fácil, pois muitos fieis já foram lesados por políticos. “Além disso”, completou o frei, “não podemos agir como algumas igrejas fazem; obrigam o fiel a votar em alguém sob pena de ir para o inferno.” Mas o Frei acredita que isso pode ser mudado. “Temos que fazer um trabalho de educação, mostrando que Jesus foi político e que existem documentos da igreja que apoiam a participação dos católicos na política. Temos que levar informações, sejam com revistas, ou com escritos como o panfleto da Campanha da Fraternidade do mandato de Yulo. E como líderes comunitários temos que perder o medo de apontar em quem os fieis podem contar dentro do mundo da política”, concluiu.
Últimas notícias