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Vacinação desnecessária contra febre amarela pode até trazer riscos

Publicado em: 27 de janeiro de 2017 Atualizado:: janeiro 27, 2017

Grávidas e pessoas com baixa imunidade têm contraindicações

O surto de febre amarela no Sudeste, com 50 mortes confirmadas no país alarmou toda a população. No Espírito Santo, onde há a comprovação de um doente, mas já pipocaram outras 33 suspeitas, está acontecendo uma corrida aos postos para vacinar mesmo onde não há recomendação do Estado. Porém é preciso ter cuidado com a vacinação desnecessária, que pode representar um risco. Antes de ir se imunizar a pessoa deve saber se não está nos grupos de contraindicação.

“É preciso lembrar que a vacina é feita com o vírus vivo. É um microrganismo injetado nas pessoas em sua forma fraca para ajudar a criar condições na luta contra o vírus selvagem. Mas em quem não tem um sistema de defesa bem estruturado ele pode funcionar como um agressor”, alerta o infectologista Crispim Cerutti.

Além das pessoas com 60 anos ou mais, grávidas, transplantados e pacientes com doenças que causem baixa na imunidade ou estejam com diabetes fora de controle estão na lista.

No caso dos idosos e das pessoas com imunodeficiência, pode ser feita uma avaliação médica ponderando riscos e benefícios para aqueles que vivem nas cidades onde toda a população está sendo vacinada. Com isso, o profissional de saúde emite um laudo atestando a possibilidade.

Já a situação das grávidas é mais delicada, o vírus pode passar para o bebê. “As gestantes têm uma redução nas defesas do organismo e o feto fica vulnerável a agressão do microrganismo. Pode passar para a placenta, inclusive com risco de perda da gravidez”, diz Cerutti.

Crianças com menos de 6 meses de idade também não podem ser vacinadas, pois não possuem maturidade nas defesas do organismo suficientes. De 6 a 9 meses, é preciso uma avaliação médica do risco.

Reações

Independentemente dos grupos de contraindicação, dados do manual de Eventos Adversos do Ministério da Saúde apontam que 5% das pessoas vacinadas apresentarão algum sintoma após ser aplicada a vacina.

“Geralmente é algo local, uma febre baixa, dor no braço, um mal estar. mas há uma pequena parcela que pode apresentar formas mais graves”, diz a infectologista Jaqueline Reuda.

Esses efeitos de maior gravidade são: encefalite (inflamação do cérebro, aparece de sete a 21 dias depois da aplicação), que, entretanto, tem somente 0,8 casos para cada 100 mil doses; e a doença viscerotrópica aguda (uma síndrome hemorrágica, surge 10 após a vacinação), com apenas 0,4 casos para 100 mil doses.

Alergia

Outros que não podem ser vacinados são as pessoas que tenham alergia a ovo. “A preparação da vacina envolve uso de ovos de aves, por isso esse é um caso de contraindicação absoluta”, destaca Crispim.

Também existem situações de alergia a algum outro componente da medicação, que só serão descobertas por quem já foi imunizado alguma vez. São reações que vão desde coceira da pela à dificuldade de respirar.

Ibatiba: reação leva população a postos

Centenas de moradores de Ibatiba, na região do Caparaó, que se imunizaram tomando a vacina da febre amarela, estão buscando atendimento nos postos de saúde do município por causa das reações. Na cidade, mais de 16 mil pessoas já receberam a dose contra a doença.

No início da semana, segundo moradores, o pronto-atendimento ficou lotado de pacientes se queixando de dores nas articulações, febre, enjôo e vômito.

“Chegaram a mais de 140 atendimentos em um dia. A demanda aumentou e os profissionais estão sobrecarregados com muita gente tendo reações”, comentou um morador da cidade que preferiu não se identificar.

Apesar da grande demanda na unidade, a secretária de saúde Nilcilaine Hubner Florindo diz que a situação se normalizou e explica que a reação à vacina é comum. As primeiras doses da vacina chegaram no dia 20.

“É comum e esperado em até 50% do público alvo da imunização. Essas pessoas estão sendo monitoradas, com retorno à unidade todos os dias. O paciente que estiver com estes sintomas após a vacina deve procurar a unidade mais próxima para avaliação médica”, explicou. (Beatriz Caliman)

Pacientes escondem sintomas para se vacinar

A corrida para se ver livre da febre amarela tem feito com que algumas pessoas se arrisquem para garantir a vacina. Segundo o infectologista Lauro Ferreira Pinto, já houve casos em que pessoas omitiram a utilização de certos tipos de medicamentos para terem acesso às doses oferecidas. Um ato que pode custar caro para a saúde.

Lauro lembra que as restrições para o uso da vacina devem ser respeitadas para que efeitos colaterais sejam evitados. Nelas, estão incluídos idosos, gestantes, mulheres que amamentam crianças de até nove meses e pacientes que com deficiência do sistema imunológico ou que passam por quimioterapias e radioterapias.

Quem faz uso de anticorpos monoclonais (presentes em remédios para o tratamento de artrite reumatóide, doenças intestinais inflamatórias e psoríase) ou está em tratamento contra doenças no Timo – glândula localizada no tórax – também deve evitar a vacina.

“Entendemos que as pessoas estejam assustadas, mas é preciso esperar, pois a melhor forma de proteger quem está na região urbana é bloquear o vírus na mata. Quando passar esse período, vai haver vacina com mais facilidade”, explica Lauro, que indica que as pessoas não omitam seus quadros clínicos.

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