Publicado em: 21 de junho de 2016 Atualizado:: junho 21, 2016
Ao participar de audiência pública na ultima quinta-feira passada, em Mucuri, o vereador Sergio Augusto Passos Costa – Sergio da Colônia – declarou estar consciente de que o avanço indiscriminado do eucalipto transgênico, o uso sem controle de agrotóxicos e a falta de ações para recuperação de nascentes, formam um perigoso conjunto de fatores que levará à morte do Rio Mucuri e à transformação de áreas do extremo sul da Bahia, nordeste de Minas Gerais e norte do Espírito Santo em uma espécie de “deserto tropical”.

A reunião aconteceu na escola Jaci Ferreira e contou com a presença de Winnie Overbeek, autoridade reconhecida no assunto, coordenador internacional do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais, e Leonardo Melgarejo, da Associação Brasileira de Agroecologia. Na pauta, as plantações de eucalipto transgênico e agrotóxicos. Promoção do evento foi da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR) e Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes).
“É importante conhecer o que vem acontecendo na região, onde megaempresas de celulose e papel, como a Suzano e a Fibria, e até mesmo hidrelétricas, são cobradas o tempo inteiro pela falta de informações e falta de qualquer investimento na parte ambiental. Nosso Rio Mucuri está pedindo socorro, nossas terras estão degradadas, um verdadeiro ‘deserto tropical’ está se formando, e quem deveria assumir responsabilidades não o faz”, desabafou Sergio.
O vereador parabenizou o MST, a coordenadora Ivonete, organizadores e professores que se engajaram no evento, prestando esclarecimentos e dando muitas informações sobre o eucalipto, principalmente o transgênico, “e tudo que ele traz de negativo para a região e para todos que moram onde tem eucalipto ou qualquer tipo de monocultura”.
Dessa primeira audiência pública, Sergio entende que muitas denúncias foram registradas, dentro de uma apresentação ampla da situação em que vivemos.“Espero que, sem demora, venham respostas e esclarecimentos. Por isso, entendo que é fundamental a participação da comunidade, é muito importante, pois a preocupação é com o nosso futuro, o futuro dos nossos filhos e netos, que podem herdar um deserto pelo uso desequilibrado do solo e da água, em um cenário ambientalmente destruído”.O vereador parabenizou o MST, a coordenadora Ivonete, organizadores e professores que se engajaram no evento, prestando esclarecimentos e dando muitas informações sobre o eucalipto, principalmente o transgênico, “e tudo que ele traz de negativo para a região e para todos que moram onde tem eucalipto ou qualquer tipo de monocultura”.
EUCALIPTO TRANSGÊNICO
Ano passado, o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais divulgou matéria sobre a aprovação do cultivo de árvores geneticamente modificadas no Brasil, informando que a decisão era uma violação de leis nacionais e protocolos internacionais. Há grandes preocupações com o impacto dos eucaliptos transgênicos.
As tais “florestas plantadas” são formadas pelo cultivo de uma única espécie exótica (o eucalipto), a partir de formas clonais das espécies Eucalyptus grandis e Eucalyptus uropphylla, e implantadas sobre biomas como Mata Atlântica, Cerrado Floresta Amazônica e Pampa, através da incidência massiva de pesticidas químicos à base de glifosato, ou do formicida Mirex, à base de Sulfluramida, dentre outros agrotóxicos, a fim de eliminar a presença do que os gestores dos manejos denominam de “ervas daninhas”, matinhos rasteiros, formigas e outros elementos naturais potencialmente nocivos ao esperado desenvolvimento das clonadas mudinhas, em processo tecnicamente conhecido como capina química.Ano passado, o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais divulgou matéria sobre a aprovação do cultivo de árvores geneticamente modificadas no Brasil, informando que a decisão era uma violação de leis nacionais e protocolos internacionais. Há grandes preocupações com o impacto dos eucaliptos transgênicos.

É que o eucalipto – como toda e qualquer monocultura semeada nas artificialidades dos laboratórios das grandes corporações – não interage com a natureza. Nele não há possibilidade alguma de existir vida, intercâmbio natural, cadeia alimentar a permitir a sobrevivência até mesmo do mais rasteiro dos insetos.
Nos monocultivos comerciais de eucalipto não há a presença de diversidade biológica necessária para que o aglomerado de clones exóticos possam ser aceitos tecnicamente como florestas. Dessa sensação resulta a imagem – tão bem lapidada ao tema – do deserto verde, concebida pela população rural afligida por seus negativos impactos.
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