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CÂMARA RECONHECE TRABALHO DA APAE-MUCURI: 23 ANOS DE AMOR, LUTA E INCLUSÃO

Publicado em: 25 de agosto de 2026 Atualizado:: agosto 25, 2026

Lágrimas emocionadas marcam entrega solene da Moção de Aplauso nº 007/2026, assinada pelos vereadores Pamela Seixas e Carlinhos da Ótica, que registra para a história o trabalho exemplar da entidade.

O plenário da Câmara Municipal de Mucuri vestiu-se, na manhã desta terça-feira, 25 de agosto, de uma emoção rara. Na Casa do Cidadão, a solenidade de entrega da Moção de Aplauso nº 007/2026 à Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais — APAE-Mucuri transformou uma sessão legislativa ordinária num momento de celebração, memória e reconhecimento que ficará gravado na história do Município.

Vereadores e equipe da APAE

Vereadores, servidores da Casa, equipe da APAE, alunos atendidos pela entidade e dezenas de familiares ocuparam a maior parte das cadeiras disponíveis. No centro da sessão, a Moção de Aplauso, de autoria da vereadora Pamela Honorato Bremer Seixas (Pamela Seixas – Podemos) e do vereador Carlos de Jesus Brito (Carlinhos da Ótica – PSB), que registra “para a história e para a posteridade” o trabalho exemplar da entidade que, há 23 anos, nasceu da dor e da perseverança de famílias mucurienses.

Nascida da dor, erguida pela determinação

Como lembra o texto da moção, a APAE Mucuri foi fundada em 29 de novembro de 2003 por um grupo de famílias que não sabia como lidar com as limitações encontradas dentro de seus próprios lares, diante da ausência de amparo público. A inscrição na Receita Federal veio em 27 de janeiro de 2004. Desde então, a entidade assumiu o protagonismo municipal na luta por uma sociedade mais justa e acolhedora — e a Câmara esteve ao seu lado, concedendo-lhe a Utilidade Pública Municipal, instrumento que hoje viabiliza o Termo de Colaboração com o Município.

Pandemia: o silêncio e o recomeço

A moção também faz justiça a um período doloroso. Entre 2020 e meados de 2023, a pandemia do coronavírus interrompeu os vínculos sociais construídos ao longo de anos, reduzindo a participação da comunidade e obrigando as famílias a recomeçarem do zero. A crise — que ceifou mais de 715 mil vidas brasileiras — deixou ciclos profundos, mas não venceu a APAE. Com uma equipe focada e aguerrida, a entidade transformou a adversidade em renovação.

Expansão e conquistas

Os números atuais falam por si: cerca de 160 famílias assistidas, atendimento ampliado para os três turnos e expansão constante das atividades. Pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE), em parceria com o Município, são aproximadamente 80 alunos atendidos de Itabatã, Nova Brasília e Mucuri Sede, nos turnos matutino e vespertino. Pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), a APAE oferece oficinas de cultura, esportes adaptados, geração de renda por meio da Cozinha Comunitária, acolhimento psicossocial, grupo de apoio às famílias e expressão corporal com Zumba. Ainda neste semestre, somam-se as oficinas de Artes Visuais e Cênicas e de Crochê, além de parcerias para ampliar as capacitações da mão-de-obra local.

No plano físico, 2026 trouxe duas conquistas simbólicas e concretas: a implantação da Cozinha Comunitária e Solidária — com equipamentos doados pelo Governo do Estado da Bahia e espaço reformado por força voluntária — e a climatização de todas as salas de aula e administrativas, investimento que traduz, em conforto, a sensibilidade de quem se compromete com o bem-estar de quem mais precisa.

“Uma área de convívio pleno”

Talvez o trecho mais potente da moção seja aquele que quebra um pensamento ainda enraizado: o de que a APAE seria um espaço restrito a pessoas com deficiência. O texto é categórico: a entidade “se revela, na verdade, como uma área de convívio pleno, onde o respeito e a igualdade prevalecem, onde cada um auxilia o outro no desenvolvimento de habilidades e autonomia, celebrando cada conquista de modo individual, pela grandeza dos seus significados para quem verdadeiramente a vive”.

No plenário, a emoção falou — e os vereadores traduziram o que o Município sente

Assim que a Moção foi colocada em discussão, quando o microfone foi aberto, a emoção tomou conta do plenário como poucas vezes se viu naquela Casa. O primeiro a falar foi o coração — e ele veio pela voz da vereadora Pamela Seixas, autora da moção, que não conseguiu esconder as lágrimas. Mãe de criança especial, Pamela sabe como ninguém o que significa ter uma instituição como a APAE ao lado de quem mais precisa. Entre soluços e sorrisos, agradeceu à entidade pelo acolhimento que transforma vidas, elogiou a dedicação de cada profissional da equipe e, com a voz embargada, pediu bênçãos para que o trabalho continue prosperando. O plenário, em silêncio respeitoso, acompanhou cada palavra — e aplaudiu de pé.

O vereador Calinhos da Ótica, coautor da moção, também emocionou ao recordar os muitos anos em que acompanha de perto o trabalho da APAE Mucuri. Conhecedor dos bastidores da entidade, da luta diária de suas equipe e das famílias, Carlos fez questão de ressaltar que o reconhecimento não é um favor, mas uma dívida da Câmara — e de toda a cidade — com quem há mais de duas décadas dedica a vida ao próximo.

O vereador Dema trouxe ao microfone uma lembrança que comoveu a todos: já foi motorista do veículo que transportava os alunos da APAE. De volante em mãos, conheceu de perto os rostos, os nomes, as risadas e as dificuldades de cada criança e de cada adolescente atendido pela entidade. “Aprendi muito como ser humano no convívio da APAE”, disse, com a autoridade de quem viveu por dentro aquela rotina, reafirmando o valor inestimável do trabalho da entidade.

O vereador Willian Crisma somou-se aos elogios, destacando a importância da entidade para o tecido social de Mucuri e ressaltando que a APAE é, para além de um serviço, um símbolo do que a comunidade pode construir quando se une por uma causa justa.

Por fim, o presidente da Câmara, Dr. Hélio, encerrou as falas com palavras firmes e afetuosas. Destacou a importância do trabalho da APAE para Mucuri e fez questão de registrar que a Casa sempre esteve ao lado da entidade — ajudando, apoiando e reconhecendo, em cada momento, o que a Associação representa para o Município. “A Câmara sempre estará de portas abertas para a APAE”.

Pamela e Carlinhos aproveitaram o momento para presentear a APAE com uma chaleira, um liquidificador, uma misteira, uma panela de pressão, uma fritadeira air fryer e um ventilador.

SAULLO, PRESIDENTE DA APAE, AGRADECE

Após as falas dos parlamentares e a entrega solene da Moção de Aplauso, o presidente da APAE Mucuri, Saullo Souza Santos, foi convidado pelo presidente Dr. Hélio a fazer uso da tribuna da Casa — e o plenário o recebeu com aplausos prolongados.

Ex-vereador, graduado em Direito, Saullo traduziu o que sentia: aproveitou o microfone, em nome da entidade, para agradecer a Moção de Aplauso e o apoio que a APAE sempre recebeu da Câmara Municipal ao longo dos anos. Falou com a voz firme de quem conhece de perto os corredores do Legislativo, mas com o coração de quem, há anos, dedica a vida aos que mais precisam.

De Saullo, no entanto, é preciso dizer mais do que as palavras que pronunciou. Homem de luta, guerreiro por natureza e vocação, ele é daquelas figuras que não medem esforços quando o assunto é o bem do próximo. Solidário até as consequências, de bom coração e de mãos sempre estendidas, transformou a presidência da APAE Mucuri numa missão pessoal e coletiva — das que se carregam no peito, não apenas no currículo. Se a entidade renasceu após a pandemia, se hoje atende 160 famílias em três turnos, se voltou a ser o farol de inclusão que Mucuri tanto precisa, muito se deve à determinação incansável de quem à frente está, claro, acompanhado de perto por toda a equipe da entidade. Daí por diante, só aplausos e admiração.

A entrega da Moção de Aplauso foi um momento, como definiu quem esteve lá, “muito bonito” — e que a Câmara fez bem em registrar, para que não se perca na passagem dos dias e dos anos. Questão de justiça.

 

*Da Redação/Ascom


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