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Exposição “Inclassificáveis” está aberta para visitação até 09 de agosto no MUNCAB

Publicado em: 29 de julho de 2026 Atualizado:: julho 29, 2026

O público tem até o dia 9 de agosto para visitar “Inclassificáveis”, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), localizado na Rua das Vassouras – Centro Histórico, em Salvador. A exposição reúne cerca de 100 obras que retornaram à Bahia após mais de 30 anos nos Estados Unidos. Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a exposição reúne esculturas, pinturas, gravuras e objetos de artistas baianos que desafiam classificações como “arte popular”, “naif” e “folclórica”, reafirmando essas produções como parte central da arte brasileira contemporânea.

“Inclassificáveis” propõe uma revisão crítica sobre a forma como a história da arte brasileira classifica e hierarquiza produções afro-brasileiras e que historicamente foram invisibilizadas. O ponto de partida da exposição é a rematriação de cerca de 100 obras que integravam um acervo mantido por mais de três décadas no Instituto Con/Vida, em Detroit, nos Estados Unidos.

O conceito “rematriação”, inspirado na reflexão do artista e pesquisador Ayrson Heráclito, amplia a ideia de repatriação ao compreender que o retorno dessas obras não significa apenas trazê-las de volta ao país, mas reconstitui seus vínculos com os territórios, as comunidades, as memórias e as manifestações socioculturais que lhes deram origem.

Os curadores Jamile Coelho – também diretora artística do MUNCAB – e Jil Soares destacam que muitas dessas obras nasceram em lugares que, durante décadas, permaneceram à margem dos grandes circuitos institucionais da arte e que, frequentemente, recebem classificações como “arte popular” ou “folclórica”, apagando seus significados sociais, artísticos e políticos.

O percurso expositivo

A exposição ocupa o térreo e o primeiro andar do MUNCAB, por meio de três núcleos – “Restituir Sentidos – Amor, Festa e Devoção”; “Cotidianos” e “Escolas Invisíveis”. “Inclassificáveis” é resultado de uma pesquisa curatorial que já vinha sendo desenvolvida pela direção artística do MUNCAB e que se materializa com a chegada das obras rematriadas.

O público adentra ao percurso expositivo através do “Portal dos Mensageiros”, instalação cenográfica tridimensional concebida pela direção artística da exposição, inspirada na pintura intitulada Senhor dos Caminhos, do artista J. Cunha, que dá acesso ao primeiro núcleo “Restituir Sentidos – Amor, Festa e Devoção”, composta por um conjunto de obras espiralares que retratam as manifestações culturais afro-brasileiras e o cotidiano urbano e rural da cidade do Salvador e do Recôncavo Baiano.

O visitante irá imergir em pinturas carregadas de cores que promovem um ruído na hegemonia oficiosa das artes visuais e apresentam um ritmo não linear do cotidiano afrodiaspórico. Obras que trazem traços e linhas específicas de artistas como Eduardo Santos Silva e Mauro di Verde, que retratam as manifestações culturais presentes nos centros históricos de Salvador e de algumas cidades do Recôncavo Baiano.

Ainda restituindo sentidos, “Inclassificáveis” traz o abstracionismo geométrico de Babalu. As obras afro-barrocas de Raimundo Nonato e a santa ceia afro-brasileira de Sol Bahia e John Kinni dy. O sertão fantástico de J. Cunha, que leva o público a uma conexão afetiva com traços históricos urbanos e a vida rural.

Cotidianos

No primeiro andar, a pintura “Bois Tombados Pelo Patrimônio do Brasil” – também produzida por J. Cunha – abre o caminho. Um respiro, um arco e um conjunto de esculturas criadas pela empresa WIW Arte, versões em tamanho real da obra que a antecede, árvores e animais ultrapassam a tela e tomam forma no museu.

Caminhos. A Direita e à esquerda. Arcos dão acessos às “Escolas Invisíveis” – do Pelourinho e dos Artífices da Ladeira da Conceição (Salvador) e a de Cachoeira. Colocadas historicamente como espaços de artes não oficiais, “Inclassificáveis” apresenta obras criadas a partir da transmissão de conhecimentos entre gerações e profundamente conectadas a espaços-tempos historicamente invisibilizados.

Se caminha para a direita, adentra-se ao cotidiano do Pelourinho de algumas décadas atrás, que revelam um centro histórico muito além dos estereótipos da chamada “baianidade”. Ruas, casarões, transeuntes, manifestações culturais, carnavais, a capoeira, o mar, pescadores e marinheiros, um conjunto de obras assinadas por artistas como Calixto Sales, Raimundo França, Tupinancy e outros.

Pinturas que enquadram fotograficamente as narrativas do Centro Histórico soteropolitano, obras da artista visual Lídia Hora. O cotidiano interno dos casarões e casebres, de Telma Sá. O interior recôncavo de Maragogipinho pintado por Didito. As manifestações políticas, que antes presentes nas ruas foram lapidadas em cemitérios, na obra de Palito. O interior bucólico e os festejos culturais presentes nas obras de Gisele e Alfredo Cruz.

Uma nova porta, adentra-se ao salão que é avenida carnavalesca com as pinturas afro-brasileiras de Alberto Pitta e J. Cunha. Um tempo para o respiro, a pausa para um diálogo cotidiano com o carrinho de café. Contempla-se e a frente um novo portal que nos leva ao salão em que movimentos e heróis sociais são retratados nas obras de Sol Bahia – o conselheiro, a Revolta dos Malês, Maria Bonita e Lampião – e de Alfredo Cruz – a Independência da Bahia – 02 de Julho, o Cangaço, e outras.

Recôncavo

Um regresso, voltemos ao salão das esculturas inspiradas na obra “Bois Tombados Pelo Patrimônio do Brasil”. Agora, à esquerda, há um outro portal, que dá acesso às obras afro-barrocas da Escola de Escultores de Cachoeira, iniciadas pelo artista Boaventura da Silva Filho, o Louco, que consolidou uma tradição escultórica em madeira que reúne referências do barroco e das cosmologias afro-brasileiras e indígenas, transmitida no cotidiano entre gerações de artistas contemporâneos – Doidão, Mimo, Dory, Roque Escultor, entre outros.

Dobra do Presente

A terceira escola é a de Artífices da Ladeira da Conceição – conhecida como Ladeira da Montanha -, em que artistas visuais como Zé Adário mantêm viva uma tradição em que a forja ultrapassa o ofício técnico e se articula com a arquitetura da cidade, com o sagrado-profano e a arte-sacra afro-brasileira contemporânea. Esta escola, como bem descreve o conceito curatorial, é “um lugar de mediação entre diferentes temporalidades”, em que o “presente não se dissolve: ele se dobra”.

Ao reunir esculturas, pinturas, gravuras e objetos que desafiam classificações ditas “convencionais”, Inclassificáveis propõe um olhar contracolonial sobre a arte visual brasileira contemporânea, principalmente a baiana, e provoca o público a refletir que essas produções não estão às margens da história da arte. A curadoria destaca que essas criações nos levam a pensar que possivelmente “a arte não precise ser popular, porque o povo — plural, complexo e criativo — já é, por si, arte”. Vale pontuar que a exposição contém obras táteis para pessoas com deficiência visual e baixa visão.

Sobre o MUNCAB

O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) é gerido pela Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (AMAFRO), e consolida-se como uma instituição de referência nacional e internacional voltada à pesquisa, preservação e difusão das artes visuais afro-brasileiras, afro-diaspóricas e africanas sendo mantido através do patrocínio da Petrobras. O museu desenvolve programas de acervo, documentação, conservação e expografia dedicados à valorização e circulação da produção artística negra em suas múltiplas linguagens e temporalidades — da modernidade às práticas contemporâneas. Sua atuação contempla ainda ações educativas, formações, seminários e projetos de mediação cultural que buscam ampliar o acesso, fortalecer o pensamento crítico e estimular a participação social no campo das artes visuais.

Serviço

O quê: Exposição Inclassificáveis, de Jamile Coelho e Jil Soares

Onde: Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) – Salvador (BA), na Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico de Salvador

Visitação: até 9 de agosto – de terça a domingo, das 10h às 17h (acesso até as 16h30)

Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), sendo as quartas e domingos gratuitas

Informações: www.muncab.com.br e @muncaboficial

Endereço: Rua das Vassouras, 25, Centro Histórico, Salvador – Bahia, Brasil | em frente à SEFAZ e a 30 segundos do Elevador Lacerda


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