Publicado em: 23 de agosto de 2026 Atualizado:: agosto 25, 2026


A ATL – Academia Teixeirense de Letras transformou a noite deste sábado (22/08) em um encontro entre memória, literatura e reconhecimento, durante uma sessão solene realizada no auditório do Campus X da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Teixeira de Freitas. Em uma cerimônia marcada pela emoção e pela celebração da palavra, a instituição promoveu a tradicional Sessão da Saudade em memória da acadêmica Maria Raymunda de Macedo Leôncio, falecida em 26 de maio de 2026, aos 98 anos, em sua residência, em decorrência de falências múltiplas dos órgãos vitais.

Fundadora e titular da Cadeira nº 30 da ATL, Maria Leôncio teve sua trajetória de vida e obra reverenciada pelos confrades, familiares e amigos. A solenidade, carregada de simbolismo, culminou com a entrega de certificado e medalha ao um dos filhos e representante da família, o engenheiro civil José Leôncio, em homenagem póstuma concedida pela Academia e entregue pelo presidente da instituição, escritor Raimundo Magalhães. Mais do que um tributo, o gesto representou a permanência de um nome que, pela literatura, pelo magistério e pela própria existência, ajudou a escrever páginas da história cultural de Teixeira de Freitas.

Os acadêmicos Almir Zarfeg, Erivan Santana e Arolda Figuerêdo também se uniram ao tributo, oferecendo depoimentos e leitura de poema dedicados à memória da saudosa acadêmica Maria Leôncio. A atmosfera da cerimônia ganhou ainda maior densidade emocional ao som da “Marcha Fúnebre”, de Frédéric Chopin, cuja melodia parecia traduzir, em notas, aquilo que muitas vezes as palavras não conseguem dizer: a ausência de alguém que parte, mas deixa na memória dos seus uma obra que continua respirando.
Representando a família, José Leôncio percorreu, em seu pronunciamento, lembranças da convivência com a mãe, professora e literata, evocando episódios vividos ao lado de filhos, netos e bisnetos. Também compartilhou momentos marcantes da trajetória de Maria Leôncio junto aos membros da Igreja Presbiteriana, além de amigos, ex-alunos e tantas outras pessoas que cruzaram sua caminhada. Ao final, dirigiu um agradecimento especial à ATL pela homenagem, reconhecendo na instituição o cuidado de transformar a saudade em memória e a memória em legado.

A noite, entretanto, não se resumiu à evocação de uma trajetória. Na mesma solenidade, a ATL recebeu um novo integrante para ampliar o seu círculo de vozes e ideias. O escritor Nilson da Cruz Fonseca tomou posse como membro titular da Cadeira nº 09, em cerimônia presidida pelo acadêmico Raimundo Magalhães, assumindo oficialmente o compromisso de integrar uma instituição cuja vocação é preservar, produzir e difundir a cultura literária.

Antes da assinatura do Termo de Posse e do Juramento Acadêmico, Nilson Fonseca foi recepcionado pelo acadêmico Jackson dos Reis Novais, que proferiu um discurso marcado por boas expectativas e votos de êxito para a nova etapa. O momento simbolizou a passagem de uma porta que, na tradição acadêmica, não se abre apenas para um novo membro, mas para uma nova contribuição intelectual à história da instituição.

Em seu discurso de posse, Nilson da Cruz Fonseca dedicou especial atenção à trajetória e às realizações de Oswaldo Cohin Ribeiro da Silva, patrono da Cadeira nº 09. Ao reverenciar o patrono, o novo acadêmico também reafirmou seu compromisso com a ATL, assumindo a disposição de participar assiduamente das sessões, compartilhar livros, experiências e ideias e contribuir, com sua presença, para o fortalecimento da vida literária e cultural da Academia.

Outro instante de grande significado ocorreu quando a vice-presidente da ATL, acadêmica Arolda Figuerêdo, prestou homenagem à professora Ivonilce Passos da Silva, coordenadora do Movimento Cultural Castro Alves, em Teixeira de Freitas. Em reconhecimento à sua trajetória de dedicação à cultura e à literatura, Ivonilce recebeu a Medalha Amiga da ATL, distinção que celebrou não apenas uma pessoa, mas décadas de trabalho silencioso e persistente em favor da formação cultural de crianças, jovens e leitores.

Fundadora e responsável pela condução do Movimento Cultural Castro Alves há mais de 30 anos, Ivonilce construiu uma trajetória dedicada à preservação e difusão da obra de Antônio Frederico de Castro Alves. Ao longo desse percurso, desenvolveu projetos de leitura, participou da construção de salas de leitura, produziu documentários e promoveu concursos de poesia, além de viabilizar a impressão de uma antologia poética resultante de um dos concursos realizados com estudantes do ensino fundamental em homenagem ao “Poeta dos Escravos”. Seu trabalho revela uma compreensão preciosa: a literatura só cumpre plenamente sua missão quando consegue atravessar as páginas dos livros e alcançar novas gerações.

E os planos de Ivonilce para o futuro permanecem em movimento. Entre as atividades previstas para 2027, ela anunciou uma visita à cidade de Castro Alves, no Recôncavo Baiano, onde pretende produzir um documentário no ano em que o poeta celebrará 180 anos de nascimento. A iniciativa prolonga uma história de três décadas de devoção cultural e reafirma a capacidade da literatura de manter vivos os seus grandes nomes, fazendo do passado uma ponte para o futuro.

No primeiro momento da sessão solene, a literatura contemporânea também ocupou o centro das atenções com a entrega do 10º Prêmio Castro Alves de Literatura ao poeta Evaristo Souza Soares. O reconhecimento foi entregue pelos acadêmicos Almir Zarfeg, Athylla Borborema e Raimundo Magalhães, depois de Evaristo Soares se destacar em três categorias: 1º lugar em poema, 1º lugar em conto e 2º lugar em crônica. A expressiva conquista lhe rendeu medalha, certificados e premiação em dinheiro, coroando uma participação de destaque no tradicional concurso literário.

Evaristo Souza Soares aproveitou a ocasião para revisitar parte de sua trajetória na literatura e as conquistas acumuladas em importantes premiações realizadas em diferentes regiões do país. Por seu desempenho nas últimas cinco edições do Prêmio Castro Alves de Literatura, o poeta tornou-se “hors-concours”, ficando dispensado de participar das próximas edições do certame e sendo oficialmente convidado a integrar uma das comissões julgadoras.

Como se a noite ainda reservasse uma última página, Evaristo Souza Soares também foi empossado como Membro Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni (ALTO), em Minas Gerais, pelas mãos do poeta e jornalista Almir Zarfeg, Embaixador Cultural da instituição mineira. Assim, entre a saudade de quem partiu, a chegada de quem começa e o reconhecimento de quem já construiu seu caminho, a ATL encerrou uma noite em que a literatura mostrou, mais uma vez, sua capacidade de transformar ausência em permanência e palavras em legado.
*Da Redação